sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Natureza misteriosa da tecnologia de amplificação do babaca



Não adianta pensar no mundo como sendo dividido entre imbecis e não imbecis ou, se achar melhor, entre trolls e vítimas.
Cada um de nós tem um troll interior. Antigamente, antes de todo mundo fazer isso, era mais fácil notar como é bizarro quando seu troll interior se manifesta. É como se um alienígena horrível — do qual você havia esquecido há muito tempo — vivesse dentro de você. Não deixe seu troll interior assumir o controle! Se isso sempre acontece em uma situação específica, evite essa situação! Não importa se é uma plataforma on-line, um relacionamento ou um trabalho. Seu caráter é como sua saúde, mais valioso do que qualquer coisa que se possa comprar. Não o jogue fora.
Isso é um problema tão comum que deve ser um lance profundo,
primitivo, uma tragédia de nossa herança, um defeito estúpido no cerne da condição humana. Mas dizer isso não nos leva a lugar nenhum. O que é exatamente o troll interior?
Primeiro de tudo, às vezes o troll interior assume o controle, às vezes não. A hipótese em que trabalho há muito tempo é a de que existe um interruptor no fundo de cada personalidade humana que pode ser ligado em dois modos.
Somos como os lobos. Podemos ser solitários ou fazer parte de uma alcateia. Por isso chamo esse mecanismo de interruptor Solitário/Alcateia. Somos mais livres na condição de lobos solitários. Somos cautelosos, mas também capazes de ter mais alegria. Pensamos por nós mesmos, improvisamos, criamos. Vasculhamos, caçamos e nos escondemos. Uivamos de vez em quando por pura exuberância.
Por outro lado, quando integramos uma alcateia, as interações com o outro se tornam a coisa mais importante do mundo. Não sei até que ponto isso acontece com os lobos, mas entre as pessoas é uma situação drástica. Quando estão fechadas em uma estrutura de poder competitiva, hierárquica, como uma corporação, as pessoas podem perder de vista a realidade daquilo que estão fazendo, porque a luta imediata pelo poder assume um vulto maior do que a própria realidade.
O exemplo que assume o maior vulto hoje é a negação das mudanças
climáticas. Na comunidade científica e entre praticamente todas as nações do mundo, existe o consenso de que devemos confrontar as alterações do clima, e ainda assim um grupo pequeno, mas poderoso, de empresários e políticos não concorda. Eles encaram a ciência a respeito da mudança climática como uma trama para atacar sua riqueza e seu poder. É uma ideia absurda, uma insensatez que só é possível quando estamos fechados em uma compreensão do mundo que só leva em conta as lutas de poder, excluindo a realidade mais ampla.
Para uma criatura do mundo técnico, é reconfortante destacar um exemplo como esse, porque ele nos livra de suspeita, mas comunidades científicas também podem sofrer com o interruptor posicionado no modo Alcateia. Por exemplo, o físico Lee Smolin documentou o modo como teóricos das cordas exerceram um domínio coletivo durante algum tempo no mundo da física teórica. O padrão é encontrado sempre que pessoas formam grupos.
Gangues de rua se valem apenas de conceitos de alcateia, como
territorialidade e vingança, mesmo que estes destruam suas vidas, famílias e bairros. O modo Alcateia do interruptor faz você prestar tanta atenção nos colegas e inimigos no mundo de alcateias que isso o impede de ver o que está acontecendo na sua frente.
Quando o interruptor Solitário/Alcateia é posicionado em Alcateia,
ficamos obcecados por uma hierarquia social, que passa a nos controlar.
Agredimos aqueles que estão abaixo de nós, com medo de sermos rebaixados, e ao mesmo tempo fazemos o possível para bajular e criticar aqueles que estão acima. Nossos colegas oscilam entre “aliado” e “inimigo” tão rapidamente que deixamos de percebê-los como indivíduos. Eles se transformam em arquétipos de uma revista em quadrinhos. A única base constante de amizade acaba sendo um antagonismo compartilhado em relação a outras alcateias.
Sim, vou misturar metáforas de animais. Claro, acho que um gato
“domesticado” moderno é mais parecido com um lobo solitário do que com um integrante de alcateia, embora os gatos também se preocupem muito com estruturas sociais hierárquicas. Talvez os gatos tenham um interruptor de Orgulho, e viver com humanos tenha lhes dado a liberdade de diminuir a importância dos orgulhos. Quanto mais rico o território de caça, mais fácil é não ser um imbecil com os colegas. Passar a morar com humanos pode ter sido para os gatos o que a tecnologia avançada tem sido para a gente. Mais opções significam mais chances de não ser um troll. Pelo menos é isso que a tecnologia avançada geralmente tem significado no panorama mais amplo da história humana. A Bummer é uma exceção infeliz, uma maneira de usar a tecnologia para reduzir a liberdade humana.
O interruptor das pessoas deve ser mantido no modo Lobo Solitário.
Quando as pessoas atuam como lobos solitários, cada indivíduo tem acesso a informações ligeiramente diferentes sobre o mundo, e maneiras ligeiramente diferentes de refletir sobre essas informações. Venho falando sobre a relação entre a posição Solitário e o caráter pessoal, mas há outros motivos para manter o interruptor nessa configuração.
Considere uma demonstração que é feita com frequência no primeiro dia de aula de uma escola de administração: um professor mostra à turma um grande pote de jujubas e pede a cada um que estime o número total de balas.
A média de todas as estimativas geralmente resulta em uma cifra bastante precisa. Cada pessoa traz diferentes perspectivas, estilos cognitivos, habilidades e estratégias para resolver a charada, e a média chega a uma conformidade entre tudo isso. (A demonstração só funciona para respostas de um único número. Se você pede a uma comissão que crie um produto ou escreva um romance, o resultado sai como algo feito por uma comissão.)
Agora imagine que os estudantes só possam olhar para o pote por meio de fotos em um feed de alguma rede social. Diferentes grupos de pessoas com ideias divergentes sobre o número de balas se formariam e ridicularizariam uns aos outros. Serviços de inteligência russos postariam fotos de potes semelhantes com uma quantidade diferente de balas. Defensores das jujubas motivariam trolls a argumentar que não há balas suficientes e que é preciso comprar mais. E assim por diante. Já não haveria uma maneira de adivinhar o número de jujubas porque o poder da diversidade teria sido comprometido.
Quando isso acontece, os mercados já não são capazes de oferecer utilidade ao mundo.
Você pode substituir o pote de balas por um candidato às eleições, um produto ou qualquer outra coisa. Mas isso cria problemas que abordarei nos argumentos sobre como a Bummer destrói nosso acesso à verdade e ao significado.
Por ora, pense no pote desse exemplo como se fosse sua identidade,
conforme ela é apresentada nas redes sociais. Sua identidade é posta no modo Alcateia pela Bummer. Colocando-se ali, você está se apagando. Enquanto estiverem pensando por si mesmas, as pessoas adivinharão coletivamente o número de jujubas no pote, mas isso não funcionará se elas estiverem em uma alcateia e presas em uma identidade de grupo.
Há situações que demandam o interruptor no modo Alcateia. Unidades militares são o exemplo principal. Às vezes, as pessoas precisam se entregar a uma ordem hierárquica porque essa é a única maneira de sobreviver. Mas diminuir ao máximo esses momentos deveria ser um dos objetivos primordiais da civilização.
O capitalismo fracassa quando o interruptor está em modo Alcateia. Essa posição provoca bolhas e outras falhas de mercado. Certamente há empresários falastrões que preferem usar metáforas militares nos negócios; espera-se que você seja firme e implacável. Mas, como o modo Alcateia também o deixa parcialmente cego, a longo prazo esse tipo de personalidade não é bom para os negócios, se definimos negócios como sendo a realidade para além das competições sociais.
Ao agir como lobo solitário, cada pessoa está em uma posição única na sociedade e pensa de maneira exclusiva. Outro exemplo: eleições democráticas são uma mistura genuína de ideias e historicamente têm ajudado sociedades a encontrar caminhos para seguir adiante apesar das controvérsias, mas somente se as pessoas forem postas no modo Solitário. A democracia fracassa quando o interruptor é posicionado em Alcateia. Votações tribais, cultos à personalidade e autoritarismo são as políticas do modo Alcateia.
De início pode parecer uma contradição, mas não é; processos coletivos fazem mais sentido quando os participantes agem como indivíduos.

Você pode ler o livro inteiro aqui

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Akaao - Psychic Uprising

  Akaao é um projeto de improvisos eletrônicos de Jonas Dalacorte (The Completers, dpsmkr, Cruise Noir).
  Composições minimalistas e sequenciais instantâneas contra ruídos ambientes hipnóticos que referenciam à música cósmica de Tangerine Dream e Cluster. Loops e frequências que, ora convidam e cedem espaço à reflexão interna e do ambiente, ora tomam conta do espaço e preenchem com mal-estar e inquietude o vazio do ser/estar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Corrupted Data




Corrupted Data é um trabalho do artista Cadu Tenório lançado em agosto de 2018 com participações de Emygdio na masterização, arte visual de Raul Luna e participações de Juçara Marçal, Sofia Nobrega e Daniel Moura.  O título foi lançado virtualmente e pode ser escutado e baixado gratuitamente.
Em Corrupted Data estão presentes a identidade sonora construída por Cadu, são eles: cortes abruptos como portas de aço sendo fechadas, som semelhantes a maquinários industriais e vários elementos caraterísticos dos trabalhos mais ruidosos.  No entanto, este disco segue uma estrada própria.
Existe um clima transmitindo melancolia que faz lembram trilhas sonoras de filmes dramáticos ou filmes japoneses da década de 70 onde o foco eram paisagens naturais. Os trabalhos de Cadu tem uma sequência lógica marcada por uma tristeza sonora que ao mesmo tempo transforma em uma solitude libertadora.
Alguns momentos me fizeram lembrar dos últimos discos do Burzum, talvez ali haja um diálogo entre este trabalho e aqueles, mas o trabalho não se limita somente a uma linha musical, pois existem também elementos de vaporwave, mesmo que muito únicos. Quando você entra no link do título é sugerido um link para uma imersão mais hipnótica de audição.
Corrupted é um trabalho impecável, um questionamento, um trabalho autoral brilhante no meio da música experimental.  Resultando em músicas entrelaçadas por diálogos muitas vezes esquisitos, nostálgicos, saudosos, memórias desconexas culminando em algo muito criativo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Pimentinhas dog

Pouco saboroso




  Dias atrás estava andando no Hauer, perambulando a noite sem pretensão alguma, mas procurando algum lugar para comer. O bairro, como quase todos da cidade, está cheio de barracas de hot-dogs, de todos que comi na cidade quase nenhum vale a pena, são caros e poucos saborosos.
  Foi subindo uma rua que encontrei o Pimentinhas Dog, um lugar simples, funciona num tipo de mini trailer (não é food-truck nem carrinho de hot-dog) olhei o cardápio e pedi um x-tudão por 15 reais. Como estava com minha companheira repartimos o lanche. O lanche, naquele dia, superou minhas expectativas, o preço estava bom e o sabor também. Além das conhecidas maioneses artesanais de alho e cebolinha, ainda tinha uma variedade grande de pimentas que não estavam tão boas assim, falo disso abaixo.
Fui ao lugar pela segunda vez e pedi um x-egg por 14 reais.   O lanche veio com vários defeitos: o pão d’agua estava velho e borrachudo, o hambúrguer de costela estava sem sabor, mal temperado, parecendo mais hambúrguer industrializado do que caseiro/artesanal.   A alface americana e o tomate fazem sentido na construção do lanche, estavam frescos, mas juntos deveriam dar mais sabor ao lanche e pela falta de equilíbrio parece que você está comendo alface com pão, no menu dizia que vinha cebola roxa, mas não encontrei. O ovo estava bem passado e parecia mais uma gelatina salgada, a montagem do lanche estava razoável, o lanche não desmanchava na mão como acontece geralmente em lugares de comida de rua.
  Acredito que todos estes defeitos são mais fruto de não saber como fazer um sanduíche bom, saboroso, do que má-fé do chapeiro.  Noto que a maioria destas barracas usam produtos de baixa qualidade para terem lucros maiores. O problema é que um lugar assim a longo prazo dificilmente sobreviverá. Não adianta você dizer que é um hambúrguer de costela, mas que não tem sabor e mais parece carne moída de terceira. O lugar tem uma boa guarnição de pimentas e maionese, mas isto nunca pode servir para encobrir os defeitos do lanche.  Além dos molhos de pimenta estarem velhos ou mal armazenados deixando com sabor que estragaria um bom lanche.
  Dificilmente terá uma terceira vez, pois há poucas quadras do lugar tem uma hamburgueria chamada Pit Stop, o nome é horrível, mas com dois reais a mais você come bem melhor.
Onde fica? Aqui

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Boletim


  Iniciou-se o presente procedimento através do Boletim de Ocorrência nºxxxxxxx e demais peças que o instruem, pois, em 16/05/2018 , compareceram nesta unidade policial as testemunhas G. e F., informando que, desde o dia 24/04/2018, não conseguem contato telefônico nem pessoal com sua irmã Z., moradora da avenida x, nº xx, bloco x, ap. xxx, Rebouças, Curitiba.
Diante da conduta suspeita do sobrinho, as testemunhas acionaram a Polícia Militar. No local, os policiais sentiram odor pútrido, bem como cheiro de maconha. Eles, então, invadiram o apartamento.
No interior do imóvel, estava apenas T.. A casa encontrava-se toda desarrumada. Havia velas, copos, incensos e pontas de cigarros de maconha. Como as desculpas e respostas do rapaz eram desconexas, foi acionado o Dr. P., delegado do 1º Distrito.
  A autoridade determinou a preservação do local, acionando a equipe de perícia do I.C. de Curitiba. Preliminarmente, o perito criminal encontrou alguns objetos como tampas de vaso, faca, martelo, corrente e amostras de sangue na soleira do banheiro e no tapete. Foram apreendidos ainda cartões de banco e comprovantes de compras feitas nos últimos dias, além de um caderno universitário com várias anotações de T..
Foi verificado que, ao longo do tempo de desaparecimento de Z., o filho apresentou comportamento estranho e, toda vez que era questionado sobre o paradeiro da mãe, dava uma versão diferente.
Por causa da conduta de T. e das possíveis manchas de sangue, foi representada pelo delegado P. a decretação da prisão temporária do rapaz junto ao Plantão Judiciário, o qual expediu mandado de prisão temporária por 30 dias, a partir de 16/05/2018.
As vizinhas, Sra. I. e Sra. M, que eram amigas da vítima, em resumo, afirmaram que, a partir do dia xx/04/2008, não viram mais a Sra. Z. e sabiam que o filho desta era pessoa de comportamento estranho. Tal comportamento agravou-se após o desaparecimento da mãe. O jovem passou a fazer uso frequente de desodorizadores de ambiente Bom Ar, mesmo saindo do interior do apartamento odor fétido. Os porteiros do condomínio J. , U., A. e F. afirmaram que T. saiu um dia, à tarde, com duas mochilas. Após algumas horas, retornou sem elas. Ainda disseram que era frequente ver T. jogando pequenas sacolas na lixeira do prédio.
No apartamento, a perícia utilizou um produto da marca "Bluestar Forensic", sendo este reagente a sangue. Isso revelou a presença da substância nos rejuntes dos pisos e rente ao batente do banheiro, no mesmo ponto da soleira. No total, foram localizados 14 pontos de reação com sangue, sendo que eles estavam no quarto de Z., no banheiro, no hall entre os quartos e o banheiro, no corredor da saída do apartamento, no hall externo do apartamento, na porta e no interior do elevador.
Pesquisas junto ao IML de Curitiba constataram que, em data posterior ao desaparecimento da vítima, foi localizada, às margens do Canal Belém, uma mão humana, conforme boletim de ocorrência nº xxxxxxx, registrado no 5º DP de Curitiba. No depoimento do policial militar que atendeu a ocorrência, consta que a mão foi encontrada em estado de putrefação, mas que, pelas suas características, poderia ser a mão de uma mulher.
O IML informou que a referida mão já havia sido sepultada, sendo retirado dela um fragmento ósseo para exame, haja vista que foi impossível colher impressão digital.
Foi então solicitado um mapa da região junto à Secretaria de Obras de Curitiba, no qual foi constatado conexão espacial entre os córregos próximos à residência da vítima e o local onde foi localizada a mão humana. Também foi solicitada e recebida a autorização do 5º DP para a utilização do fragmento ósseo na investigação.
Os objetos apreendidos no apartamento da vítima, bem como o fragmento ósseo, foram encaminhados ao Instituto de Criminalística Sede para exame de DNA, sendo utilizado para confronto sangue fornecido pela irmã da vítima e sangue fornecido por T., filho da vítima temporariamente preso nesta unidade. 
  A prisão temporária de T. foi prorrogada por mais 30 dias, sendo a partir de 12/06/2018.
T. confessou espontaneamente ter tirado a vida de sua mãe Z., tendo, inicialmente, a agredido com socos no rosto e, depois, a facadas. Posteriormente, ocultou o corpo da mãe, esquartejando-a e jogando as partes no canal Belém, próximo à sua residência.
  O interrogando informou que, no domingo, dia 26/03/2018, depois do meio dia, estava sentado em seu quarto, na cama, e viu uma luz verde. De dentro dessa luz , viu um vulto. Era o espírito de sua mãe, que o ameaçava. Dizia que iria matá-lo e cortar sua cabeça. O espírito ainda agrediu o interrogando, chamando-o de "filho da puta". A fisionomia do vulto era semelhante à de um demônio.
Há tempos T. sentia que iriam fazer algo de mal contra ele. Por isso, escondeu uma faca na parte de trás do sofá. Após ver o espírito dentro da luz verde, percebeu que a única maneira de se salvar seria matar sua mãe, para que o espírito dela não o matasse. O interrogando então pegou a faca do sofá e colocou em cima da televisão de seu quarto, que é próximo ao corredor. Ele premeditou o fato: primeiro daria socos no rosto da mãe para que ela desmaiasse, depois a retiraria do quarto e cortaria a cabeça com a faca, que estava em cima da TV. Foi isso que T. fez. A porta do quarto estava aberta e sua mãe dormia, entre as 10h e 12h do domingo, deitada de lado e encolhida, vestindo camisola branca e calcinha preta. Foi quando o interrogando ficou ao lado da cama e começou a desferir vários socos no rosto de sua mãe. Aproximadamente sete ou oito, fazendo-a sangrar a região do olho. Ela começou a gritar por socorro. Por isso, T. tampou sua boca, agarrando a cabeça com a outra mão e arrastando-a da cama para o corredor, até a porta de seu quarto. Foi quando o rapaz pegou a faca sobre a televisão, agachou ao lado de sua mãe e, segurando a cabeça dela pelos cabelos, começou a degolá-la, passando a lâmina rapidamente e com força em seu pescoço, para que parasse de gritar e agonizar.
  Muito sangue jorrou, mas T. empurrou a cabeça com o pescoço cortado para o interior do banheiro, onde a limpeza seria mais fácil. A mãe se debatia muito, mas, pouco a pouco, foi sossegando e ficou imóvel.
O rapaz então seguiu seu plano. Com a faca, separou a cabeça do corpo. Degolando a mãe por completo. Respondeu que, enquanto cortava a cabeça, ouvia sons similares a grunhidos, saindo da boca e do pescoço.
Quando chegou na região da coluna, girou a cabeça em sentido contrário para facilitar o corte final, separando-a por completo. O interrogando estava com muita raiva da mãe. Arrastou o cadáver para dentro do box e, imediatamente, começou a cortá-lo com a faca. Quebrou as juntas das pernas, forçando os membros com as mãos. Enquanto fazia isso, socava e pisoteava o corpo. Sua raiva era realmente muito grande.
  De repente, lembrou-se do que leu sobre anatomia, no livro de Wander Graaf - havia estudado durante um ano para ser tecnólogo em radiologia médica. Disse que, como era necessário muito esforço para cortar e separar as partes _ e sua preocupação em dar sumiço à vítima era grande, foi cortando-a aos poucos. Começando, se não lhe falhe a memória, pelos braços. Depois de tê-los cortado, T. os botou em um saco plástico. Escondeu parte dentro da calça, parte sob a camiseta. Para disfarçar, usou uma blusa de tac-tel azul-marinho e saiu com os dois cães poodle. Deixou o prédio pela portaria. Subiu a rua, virou à direita, desceu para a rua de baixo e chegou ao canal. Onde rasgou o saco e jogou os membros. Enquanto fazia tudo isso, fumava maconha.
  Durante alguns dias, o interrogando usou o mesmo procedimento. Livrava-se de pedaços da mãe fumando um baseado e passeando com os cachorros. No apartamento, para que o cheiro não ficasse muito forte, acendia o incenso "Cristo" e outros. Também usava "Bom Ar". Relatou que, quando cortava o corpo, deixava o ventilador e chuveiro ligados. Para que, além de limpar a sujeira, o cheiro também se dissipasse.
  Quando o rapaz chegou ao tronco, abriu a barriga e pegou as vísceras e os órgãos. Pouco a pouco, foi fritando-os "em panelas pretas, até secar" com óleo de girassol. Depois, deixava tudo esfriar e colocava em sacos de lixo. Que jogava na lixeira do prédio.
  Ao fritar os órgãos e as vísceras, fechava a porta da cozinha, acendia vários incensos, usava Bom Ar e borrifava talco pelos quartos. Limpava o sangue com panos e jornais. Às vezes, jogava os jornais sujos de sangue no córrego, junto com os pedaços de corpo.
Não se lembra bem de quando jogou a cabeça no rio. Se no início do esquartejamento, no meio ou no fim. Este "trabalho" durou cerca de sete ou oito dias.
  O interrogando pensava em tudo para não ser pego. Não se livrou do corpo em dois dias porque poderiam suspeitar de saídas constantes. Disse, inclusive, que colocava os membros e as vísceras fritas em sacos de supermercado virados do avesso _ se alguém os visse em alguma lixeira, não identificaria de que mercado eram.
  Respondeu que sua mãe mantinha um armário trancado com corrente, tendo em vista que sempre furtava dinheiro dela para comprar maconha. Como a mãe já estava morta, o rapaz arrombou o armário e pegou os cartões. Fez duas compras nos supermercados Condor e Carrefour. A mercadoria que comprou no último, levou para casa de táxi. Adquiriu, principalmente, produtos de limpeza, cosméticos e Bom Ar. Também um par de luvas amarelas, que usava tanto para esquartejar o cadáver quanto para lavar a louça.
  O rapaz diz que pensava na mãe e até chegou a acender um incenso Cristo no quarto dela. Mas como ela e seu espírito iriam matá-lo, achou melhor matá-la primeiro. Por isso acredita que não cometeu crime e agiu em legítima defesa, já que sofria agressões "verbais e espirituais". Alega que fez tudo sozinho, não havendo participação de ninguém. Que inventou várias versões de uma história sobre a mãe ter ido viajar e escreveu tudo em um caderno, para ler no caso de pessoas perguntarem a respeito dela. O telefone foi desligado da tomada.
  A relação entre o interrogando e a mãe era de amor e raiva. Ela era uma boa pessoa. Fez tudo pelo filho no que diz respeito a estudos, comida e carinho. Mas era uma muito controladora. Não o deixava ter amizades. Controlava o horário para evitar que ele usasse maconha. Não lhe dava dinheiro, pois sabia que poderia comprar a droga.
T. ainda diz que a mãe bebia. Ficava quase todo dia deitada e bebendo. Em festas, era sempre vexame. O interrogando se sentia mal quando via a mãe bebendo na frente dos outros. Mas a maior raiva que tinha dela era por não entendê-lo "espiritualmente". Diz que tiveram várias discussões porque queria dinheiro para seguir sua vida, ter uma namorada, ser independente. Mas ela não lhe dava. E ele queria um apartamento para morar sozinho.
  Reconhece que sabia que sua mãe possuía um seguro de vida, do qual era beneficiário, em torno de cem a duzentos mil reais. Afirma que não a matou por causa desse dinheiro, mas, se recebesse o valor, iria usá-lo. Diz também que pegou as fotos que estavam na estante da mãe, com ele e outras pessoas, e recortou as partes em que ela aparecia, pois, como já a havia matado, não precisava de suas fotografias. Além disso, queria fazer um novo mural, sem sua mãe.
  O interrogando jogou fora os objetos da casa de cor preta e vermelha, pois não gosta dessas cores. Responde que comprou novos tapetes porque, após ter matado a mãe e se livrado do corpo, queria começar uma vida nova. Nega estar arrependido do que fez porque "não tem do que se arrepender" e diz que faria tudo novamente. Segundo ele, a mãe atrasava sua vida, privava-o de ser feliz, pois não lhe dava dinheiro para comprar um apartamento e um carro como um "Golf ou um Toyota".
T. pretende agora tocar sua vida para frente. Como o acontecido foi longo e cheio de detalhes, ele se dispôs a ir até o local. Lá, mostrou tudo que fez e como fez. 
  O indiciado T. foi interrogado em aditamento e respondeu que, logo após ter decapitado a mãe, retirou os dois olhos dela com uma faca. Um dos olhos foi furado. Deixou os dois dentro do box do banheiro. Iria guardá-los de recordação. Mas acabou fritando-os na panela, como fez com os outros órgãos e vísceras. Afirma que não comeu nenhum pedaço. Jogou tudo fora com o restante do corpo, após ter secado.
  Ele se recordou do que fez com a cabeça da mãe: lavou-a, secou e colocou em um saco do supermercado Goez.  Depois escondeu sob a camiseta e a jaqueta azul. Como ficou um pouco barrigudo, encolheu a barriga, curvou os ombros para frente e foi até o córrego com os dois poodles. E jogou a cabeça de cima da ponte.
  Em relação ao tronco, diz que, após ter retirado os órgãos e vísceras, ficou oco. Restou apenas a carcaça da caixa torácica. Depois de tê-la embrulhado, também jogou no rio, arremessando-a de cima da ponte. De acordo com ele, o embrulho ficou encalhado em algumas pedras do córrego. Após ter retornado para casa, ficou pensando em voltar lá e desenroscar o embrulho. Porém, durante a noite, choveu muito. No dia seguinte, quando retornou ao local, a correnteza já o havia levado.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Alfred Kubin


Kubin nasceu em Litoměřice, Boêmia, que então era parte do Império austro-húngaro. De 1892 até 1896 estudou fotografia de paisagem com Alois Beer, aprendendo pouco. Aos 19 anos, ele tentou suicídio no túmulo de sua mãe. Um curto período no exército austríaco o fez ter um colapso nervoso. Entre 1898 e 1901, Kubin estudou na escola de arte Schmitt Reutte e na Academia de Munique.
Em 1902 começou a colaborar com a revista satírica Simplicissimus. Esse mesmo ano expõe em Berlim e publica a sua primeira recopilação de desenhos no ano seguinte. Produziu um pequeno número de pinturas ao óleo entre 1902 e 1910. Começaram a predominar na sua produção outras técnicas, o desenho com caneta a tinta chinesa tornou-se o meio favorito, também realizou aquarelas, e litografias. Viajava, sobretudo a Paris, e criou uma grande amizade com Franz Kafka. Em 1911 participou junto aos seus amigos Paul Klee e Franz Marc na exposição de Der Blaue Reiter.
No Expressionismo destacou-se pelas suas fantasias obscuras, espectrais e simbólicas (normalmente relacionadas por séries temáticas). Encontraram-se influências, especialmente nas suas obras iniciais, de artistas como Francisco de Goya, James Ensor e Max Klinger. Como Oskar Kokoschka e Albert Paris Gütersloh, Kubin compartilhou o talento para as artes plásticas com o literário. Ilustrou obras de Edgar Allan Poe, E.T.A. Hoffmann, Fiódor Dostoiévski, entre outros. É também autor de numerosos livros, o mais conhecido de eles é o seu romance Die Andere Seite (O outro lado ) (1909), uma distopia apocalíptica de atmosfera claustrofóbica e absurda, com reminiscências dos últimos escritos de Kafka. Este romance é considerado como uma das obras-primas da literatura fantástica em língua alemã; assim o qualificaram reputados autores, como Hermann Hesse que a situa a meio caminho entre Meyrink, Poe e Kafka.
De 1906 até a sua morte, levou uma vida retirada num castelo do século XII em Zwickledt. Kubin foi premiado com o prêmio do Grande Estado Austríaco em 1951, e com a condecoração Austríaca das Ciências e das Artes em 1957. Em 1938, após o Anschluss da Áustria, a Alemanha nazista declarou a sua obra "arte degenerada", mas ele conseguiu continuar a trabalhar durante Segunda Guerra Mundial.
Kubin foi uma influência determinante num dos cineastas mais inovadores e representativos do expressionismo: Murnau sentia fascinação pela obra de Kubin e em especial pelo seu uso irreal da luz. A magia de muitas das suas gravuras e desenhos está de fato na iluminação procedente de fontes de luz impossíveis e ilógicas. Numa cena do Fausto de Murnau é copiada literalmente uma das ilustrações do romance de Kubin "O outro lado": a casa da mãe de Margarita estranhamente iluminada pela noite. Algo similar ocorre numa cena da rua em Nosferatu, também cópia de outra ilustração do mesmo livro.
Pela sua capacidade onírica, Kubin foi considerado também de grande influência nos pintores surrealistas, entre outros em Salvador Dalí.







quinta-feira, 12 de abril de 2018

Eczema - retaliation

Álbum com variações de gêneros de ruído. As duas primeiras faixas exploram livremente samples com uma bateria caótica. Ainda trechos de viciados e algumas partes são cantadas. O disco é uma denúncia às populações colocadas às margens. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Marmota - A margem

  Grupo de Jazz porto-alegrense. Trabalho de altíssima qualidade para quem gosta do gênero, o disco foi lançado em dezembro.
   Lançado em Dezembro/17, o segundo álbum da Marmota, A Margem,foi produzido em parceria com o estúdio Audio Porto,conta com sete composições autorais da banda, e é coroado por um sofisticado trabalho gráfico de Alice Oliveira e André Bergamin. O álbum não segue tendências: antes constitui, com suas influências, caminhos a serem margeados. Fundada em 2011, a Marmota é formada pelos músicos André Mendonça (baixo), Bruno Braga (bateria), Leonardo Bittencourt (piano) e Pedro Moser (guitarra). Em 2015 lançaram seu primeiro disco Prospecto, que recebeu cinco indicações ao Prêmio Açorianos.

Onde escutar:
iTunes: https://apple.co/2Gf0IUe

Spotify: http://spoti.fi/2DBvmtk
Deezer: https://www.deezer.com/br/album/51906912

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Sweet Desastre - Muzákna


  Sweet Desastre é uma dupla formada por Glauber Guimarães e Heitor Dantas. Muzákna (EP lançado pelo Sê-lo! Netlabel), uma trilha sonora para um filme expressionista imaginário (ou uma trilha sonora expressionista para um filme imaginário) possui 12 faixas gravadas entre abril e junho de 2017. 
   Há ecos aqui e ali de Tom Waits, música étnica, maquinário industrial, Zappa, música brasileira, música erudita de vanguarda e estética lo-fi.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Aparelhagem Malk Espanca & Cabana Sarau Elétrico

Gravação fruto de um sarau com música de ruído. Poesia, sons esquisitos e gravação de campo.