quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um breve guia para mergulhar no gênero "Eletrônica de Potência".

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Maurizio Bianchi

Embora este álbum não seja, literalmente sobre, Eletrônica de Potência, é com certeza um dos progenitores para o gênero; lançando as bases para o que viria no futuro.
2

Whitehouse


Whitehouse é um dos, se não o, mais conhecidos de todos os projetos ligados à Eletrônica de Potência. Grande parte de seus trabalhos iniciais são típicos do gênero, e são deles também os primeiros lançamentos; composto principalmente de ruído estático, gritos rosnantes de Bennett distorcidos; cuspindo letras como "você é uma vadia". Enfim, uma peça histórica. 
3

Sutcliffe Jugend


Isto seria o irmão mais violento e revoltado do Whitehouse. Kevin Tomkins, principal nome do projeto, passou um tempo apresentando-se com Whitehouse. Embora os sons sejam bastante semelhantes, Sutcliffe Jugend é mais abrasivo do que seu infame irmão . Este cassete épico é um testamento disto; sendo um dos melhores lançamentos na primeira onda dentro do gênero.
4

Pure


O primeiro projeto de Mattew Bowers "Pure" e seu disco Fetor será, provavelmente, um dos últimos lançamentos da primeira onda. Este álbum define o tom para projetos posteriores de Bower (Total, Skullflower) e continua sendo um dos melhores sons dentro da Eletrônica de Potência, embora seja um dos primeiros, este disco é capaz de atropelar vários lançamentos mais recentes.  
5

Controlled Bleeding


Controlled Bleeding é um dos exemplos mais rudes do inicio da Eletrônica de Potência, misturando Harsh Noise e experimentação (uso de samples, circuit-bent, e junk noise ) mantendo ao mesmo tempo uma sensação de estrutura musical; tornando um material essencial para os amantes do gênero. 
6

Dog As Master


Brash Pussy embora não seja um álbum muito diferente dos trabalhos de Controlled Bleeding é, no entanto, igualmente bem destoante, e emprega alguns elementos de colagem sonora para criar uma parede densa de ruido com vocais explodindo em reverb lutando para ficar acima do ruído caótico que permeia o disco.  
7

Genocide Organ


Eletrônica de Potência alemã essencial. Lançado recentemente pela gravadora Tesco (selo de bandas como Propergol, Grey Wolves, Con-dom, Azenzephalia e vários artistas de neofolk). Caracteriza-se pela ênfase em elementos mais comumente encontrados no power noise (especificamente no sentido rítmico: Klaus Barbie é um grande exemplo) e Death Industrial.  
8

Ramleh


Provavelmente o disco mais acessível desta lista. Hole in the Heart, é para todos os intentos e propósitos Death Industrial, em vez de Eletrônica de Potência. No entanto, ele tem várias ligações vagas com o gênero e por este motivo está nesta lista. Altamente influente e bem feito este Death Industrial com bastante ênfase na atmosfera em vez da brutalidade normalmente associada ao gênero Eletrônica de Potência. 
9

Male Rape Group


Uma ramificação do Ramleh (ambos do selo Broken Flag, fundado por Gary Mundy e Whitehouse). Muito semelhante aos outros projetos (especificamente Sutcliffe e Whitehouse)mas, felizmente este projeto tem trechos superiores aos nomes supracitados. 
10

Grunt


Freak Animal: Mikko Aspa (conhecido também por seus trabalho no Deathspell Omega e Nicola 12), o homem por trás do Grunt é também fundador da Freak Animal, um tipo de think tank da Eletrônica de Potência (hehehe) o projeto mantém elementos da primeira onda (vocais distorcidos e cargas de retorno) e elementos da segunda onda com experimentação, incorporando Junk Noise e elementos ocasionais de Dark Ambient.   
11

Brethren


Brethen, apesar de ser um dos artistas mais ofensivos desta lista, também é, inegavelmente, um dos mais talentosos. Rodger's, contrariando a tendência da maioria dos trabalhos de Eletrônica de Potência, não utiliza efeitos nos vocais, permitindo ouvir e entender cada frase do seu discurso filosófico cheio de ódio. Brethen, também tem várias pegadas da Eletrônica de Potência Alemã, incorporando elementos rítmicos (se a música Alien Nation não fazer você rachar a cabeça na parede, nada irá) para mais descargas de ira e brutalidade. 
12

Bizarre Uproar


Filth & Violence: Bizarre Uproar, do selo finlandês Filth & Violence, embora não tenha reinventado a roda, quando falamos de Eletrônica de Potência, é um trabalho admirável para todos nós desfrutarmos de muita obscenidade. Alta frequência abusiva, ruídos ensurdecedores, lixas, e em alguns momentos baixas frequências acompanhadas de vocais, tanto o Sr e Sra Uproar fazem um escuta de alta qualidade. Posteriormente Bizarre Uproar agregou elementos de Dark Ambient e até mesmo Industrial; uma tomada bastante diferente dentro do gênero que, mesmo sendo diferente, definitivamente vale a pena conferir. 
13

Pogrom


Cruel Eletrônica de Potência que deseja matar tudo o que você mais ama. Pogrom cria um tipo de "noiseterpiece" com Liberal Cunt, variando entre Eletrônica de Potência indo direto para industriais purulentos e colapsos de Death Industrial. Elemento essencial para todos os fãs do gênero.
14

STROM.ec


Malignant Records: Divine Legions Beyond Psyche é um grande pedaço de experimentação dentro do gênero aqui tratado, incluindo elementos de Dark Ambient, Death Industrial e Música Concreta com fórmulas de Eletrônica de Potência distorcidos. A única desvantagem real é a última faixa, que, explorando mais de vinte minutos, você sente que seja mais um apêndice do que uma contribuição para o disco. Independentemente disto, Divine Legions Beyond Psyche é uma grande obra que mantém apenas um pouco mais de acessibilidade do que a maioria, tornando-o um bom álbum para aqueles não iniciados no gênero. 
15

Gnawed


Definitivamente o espectro do fim no Death Industrial. Feign and Cloak é uma peça sólida de uma escuta que vale a pena ser feita; aqui temos mais uma evidência de que os trabalhos da Malignant Records merecem tua atenção no futuro. 
16

Brighter Death Now


Cold Meat Industry: Grande obra de Eletrônica de Potência vinda do infame fundador deste obscuro selo (infelizmente extinto, no entanto os trabalhos do Brighter Death Now têm sido disponibilizados na Tesco), Roger Karmanik, mostra o seu lado mais pesado no Brighter Death Now. Em sua outras obras como Necrose Evangelicum, ele compõe alguns discos que criaram e ajudaram a formar o gênero Death Industrial.
17

Prurient


Hospital Productions: Dominick Fernow, garoto propaganda deste tipo de música bem como o homem por trás do Prurient, Dominick é também o cara por trás do selo  Hospital Productions. Prurient atua como uma boa porta de entrada para a Eletrônica de Potência, principalmente para os não iniciados, embora ele não seja o melhor exemplo do que seja Eletrônica de Potência. No entanto, seu trabalho ainda é bom o suficiente para merecer destaque dentro do gênero. 
18


NATO-Uniformen

Eletrônica de Potência com pegadas de Industrial, Alberich cria trabalhos razoavelmente acessíveis e ainda consegue manter um trabalho com sensação de exclusividade em um gênero cheio de gente e lançamentos. 
19

Navicon Torture Technologies


Annihilvs: Eletrônica de Potência com fortes inclinações para o Death Industrial com Lee Bartow gritando sobre o quanto ele odeia seu pinto (romântico...). Bastante acessível como Prurient e para quem gosta de um início mais fácil. 
20

Machismo


Depravity Label: Turbulento para caralho este LP vindo destes meninos. Sem moral, sem amor, apenas ódio e eletrônica obscena. Não acessível, mas para quem quer se aventurar no gênero, um bem que vale a pena ouvir. 
21

Koufar


Topheth Prophet: Eletrônica de Potência islâmica (não no sentido de radicalizada) compartilha semelhanças no estilo de vocal do Machismo, enquanto vai incorporando samples com temáticas muçulmanas. É refrescante ouvir algo diferente de serial Killers e racismo. 
22

Macronympha


Old Europa Cafe: cortes abruptos de ruído com vários efeitos e panes misturadas com vocais gritados, tudo isso criando uma liberação desorientadora e esmagadoramente violenta... Provavelmente alguns dos trabalhos dentro da Eletrônica de Potência mais agressivos que você irá ouvir (especialmente se você escutar em volume alto, mas alto pra caralho) este trabalho é de alta qualidade e é feito para aqueles que procuram expandir seus horizontes. 
23

Propergol


Tesco Organisation: Eletrônica de Potência com Power Noise, Dark Ambient e Death Industrial. Um sensação de atmosfera e uso de samples (vindo de diversas fontes) em vez da habitual gritaria cáustica, fazendo disso um disco aliviador. Embora durando mais de setenta minutos, ele não se arrasta graças as variações não vista muitas vezes dentro do gênero.
24

SHIFT (PE)


Unrest Productions: Sorumbático para caralho Death Industrial com influências de Eletrônica de Potência. Sem medo algum de empregar faixas com mais de dez minutos, o tempo vai se deslocando usando a composição e estrutura como base, em vez de uma característica adicional (algo que acontece muito no gênero), não tão indigesto como alguns nomes desta lista, mas isso não significa muito quando você está cercado de muita gente que se orgulha de ser raivoso.
25

Waves Crashing Piano Chords/Tanner Garza


Bookend Recordings/NoVisibleScars: Um dos lançamentos mais originais no gênero; Tanner Garza's (do Black Leather Jesus) utiliza tape loops etéreos contrastando perfeitamente com retornos de microfone do Waves Crashing Piano Chords com vocais cheios de efeitos; gerando  ao mesmo tempo um efeito calmante e surpreendente. Com músicas com curta duração e apenas duas faixas, Sade mostra uma grande promessa desta colaboração, sendo um dos lançamentos recentes mais interessantes e melhores na atualidade do gênero, acessível a quem tá começando a escutar agora bem como aos veteranos mais experientes. 
26

Bagman


Crucial Blast: (selo que lança poucos materiais do gênero ainda que seja um selo relevante) Bagman é provavelmente o melhor representante do crescimento rápido da Eletrônica de Potência fundida em outros gêneros. Paredes densas de ruído estático, temas misóginos e de extrema direita, vocais pesadíssimos indo além da compreensão; o que mais você pode querer.... 
27

Consumer Electronics


Invenção do ex-membro do Whitehouse (Phillip Best). Não faz muito para reinventar a roda da Eletrônica de Potência, mas faz uma imitação de Whitehouse admirável; provando que ele deveria ser o vocalista do Whitehouse ao invés de William Bennett. Ainda assim, nada que o impressionará.
28

Folkstorm


O projeto toca influenciado pesadamente por Martial-Industrial. As músicas são samples carregados de militarismo (grande parte relacionada ao comunismo) combinado com fórmulas muito agressivas de Eletrônica de Potência, tornando um álbum ótimo para revoltas e protestos. Segundo, de três lançamentos da Cold Meat nesta lista. 
29

IRM


Alta qualidade, mesmo não sendo algo único, Eletrônica de Potência mesclado com Death Industrial e Crossover. O resto é lirismo; tornando-se um álbum muito valioso para o gênero. O último disco da Cold Meat citado nesta lista.  
30

Martin Bladh


Desagradável para caralho, a prancha da Eletrônica de Potência combinando com os clássicos de Peter Sotos na era Whitehouse (samples cheios de distúrbios). Incrivelmente único, incrivelmente desconfortável, mas é assim que nós gostamos... Para os interessados no lado sombrio da Eletrônica de Potência (como se existisse um lado brilhante), este disco é um dever você ouvir. Lançado pela Freak Animal. 
31

Taint (US)


Taint foi feito às mulheres como Nicole 12 foi feito pra crianças (para quem não sabe Nicole 12, somente pense desta maneira, se você fosse uma criança o que a glorificação da pedofilia te faria sentir?) Taint emprega as comuns tropas da Eletrônica de Potência e executa-as incrivelmente bem (com vocais falados de vez em quando para apimentar as coisas) Altas frequências abusivas, retornos e muito ruído; muito bem tocado, portanto não necessariamente inventivo. Lançado pela Freak Animal.
32

The Sodality


Eletrônica de Potência da velha-guarda italiana. Bastante senso de composição e estrutura, e devido à sua natureza um senso de drama bombástico. Um definitivo ponto alto no reino da perversão da Eletrônica de Potência. Música feita por pessoas com desequilíbrios emocionais (ou doenças) e,  de um modo geral, inválidos. Relançado pelo selo italiano Urashima.  
33

Con-Dom


Álbum conceitual de Eletrônica de Potência (Quem poderia adivinhar?) sobre T.E. Laurence (conhecido como Lawrence da Arábia) com participações ferozes de vocais e bastante típicos (para o gênero) em meio a cenários bastante minimalistas; em vez de paredes densas, ondas de baixa frequência e até sons da natureza. Um álbum de fascínio esquisito e escutabilidade estranha dentro do gênero, porém um disco que vale a pena ouvir, mesmo que apenas por seus valores de novidade, lançado pela Tesco. 
34

The Cathode Terror Secretion


RRRecords: Eletrônica de Potência executada sob a ótica do grindcore (a maioria das faixas têm 1:30). Explosões curtas de harsh noise digital com vocais berrados implacáveis gritados por cima...Fácil de ouvir, devido à sua brevidade. Divertido, mas não essencial. 
35

Strict


Trash Ritual: Imoral e repugnante, vil e toda essa porra dolorosa e depravada que não aguentamos segurar. Não é para qualquer um, cai nas mesmas esferas das podreiras de Martin Bladh e Brethren. Excelente, ao mesmo tempo asqueroso. 
36

Rasthoff Dachau


Outro álbum conceitual de Eletrônica de Potência falando sobre a republicanização irlandesa e a detenção dos envolvidos (todas as letras são excertos dos poemas de prisão de Bobby Sands) Trabalho de fácil digestão, pois o ruído não é muito agressivo (principalmente por synths baixos) e em vez de desdobramentos rítmicos, entregas totais a vocais. Um disco bastante leve em comparação com muitos no gênero, tornando uma obra bastante interessante para quem quer começar a ouvir o gênero. 
37


Danny la Rue Died in His Sleep

Provavelmente, o melhor artista da cena britânica no momento, Iron Fist of the sun tem ódio da monarquia inglesa, ele fica contente em falar sobre isso, álbum propenso a experimentação e abstração. Lançado pela Unrest. 



BRASIL: um complemento.

Não deveria gastar tempo escrevendo isto, mas é bom dar clareza às ideias deste blogue. 
Se você leu todas resenhas notará que têm muitos ARTISTAS que fazem apologia de ideias criminosas (racismo, terrorismo, eugenia, pedofilia, misoginia, etc). Isso vem sendo polemizado e problematizado há tempos, existem vários artigos por aí e neste blogue também que abordam o assunto. 
Muitos desses caras estão apenas em suas garagens ou quartos buscando formas de se expressar vinculando estéticas de choque ou criando cenários onde nem tudo é o que parece, enfim....
Esta lista é apenas uma lista, inclusive está rodando o mundo e resolvi trazê-la para o público nacional. Listas são sempre abertas e são, também, sempre incompletas e subjetivas. 
No Brasil desconheço projetos que tenham abordagens dos temas supracitados, a maioria dos projetos daqui seguem ideias envolvendo psiquismo, ditaduras e bizarrices.... 
Um grupo que eu destacaria no país conectado à Eletrônica de Potência é a parceria do Mário Baril (Yersiniose) junto ao Guilherme Henrique (Paralized Blind Boy) e mesmo assim o termo não é usado por eles, preferindo rótulos mais abrangentes como noise e experimental. No entanto, provavelmente, todos os selos e projetos brasileiros tiveram ou têm em algum momento identificações com artistas de Eletrônica de Potência. 






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